De cada quatro, um brasileiro convive com esgoto a céu aberto

Cerca de 27% ou 1 em cada 4 brasileiro mora em residências desprovidas de coleta e tratamento de esgoto – e tampouco possuem fossa séptica – segundo um relatório da Agência Nacional de Águas – ANA.
Durante os que têm o esgoto coletado, cerca de 18% não tem serviço de tratamento.
Cerca de 14% das cidades brasileiras retiram pelo menos 60% de matéria orgânica da água, o mínimo exigido pela resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA.
Os atlas de esgotos e despoluição de bacias hidrográficas da ANA, analisaram cerca de 5570 municípios brasileiros quanto ao esgotamento sanitário e a disponibilidade de recursos hídricos, não sendo consideradas as áreas rurais.
O relatório aduz que apenas 39% da carga orgânica gerada diariamente no país é removida com a infraestrutura de tratamento de esgotos. A carga orgânica é tida por poluidora.
Cerca de 5.500 toneladas de carga orgânica por dia chegam aos recursos hídricos. É um número alto. O índice de carga orgânica é calculado por meio da Demanda Bioquímica de Oxigênio, ou seja, a quantidade de oxigênio necessária para dissolver a matéria orgânica existente na água.
Há um déficit de atendimento de serviços de esgotamento sanitário no Brasil, sendo necessários investimentos em infraestrutura no setor.
Não devemos olvidar, que a água potável, limpa e de qualidade e o saneamento básico constituem direitos essenciais do ser humano, segundo a ONU.
As grandes cidades brasileiras têm problemas com a geração de esgotos.
A ANA calculou que, nas cidades, são geradas em média 54g de carga orgânica poluidora por dia nas grandes cidades.
As 100 cidades mais poluidores do País, respondem por aproximadamente 2,2 mil toneladas de carga orgânica por dia, o que corresponde a 40% do total, sendo que, metade dessa carga provem de 15 cidades com populações urbanas superiores a 1 milhão de habitantes.
Para se ter uma ideia, se compararmos com os municípios menos populosos (5000 com população inferior a 50000 habitantes), eles são responsáveis por 1,9 mil toneladas.
Cerca de 2589 municípios brasileiros não contam com um prestador responsável pelo esgoto na região, sendo que, 95% desses municípios não contam com serviços de tratamento de esgoto.
O Sudeste é a única região onde o tratamento do esgoto gerado alcança mais da metade da população (54%), enquanto que no Norte, 12% da população têm o seu esgoto tratado. Já na região Sul a cobertura é de 40%, no Centro-Oeste, 49% e no Nordeste 32%.
O lançamento do esgoto na água sem tratamento compromete a qualidade dos recursos hídricos, especialmente em grandes cidades em que os rios ou têm pouca capacidade de diluição desse esgoto, ou essa capacidade é insuficiente para a quantidade de pessoas que habitam a região.
Para universalizar o esgotamento sanitário no Brasil, são necessários investimentos na ordem de R$ 149,5 bilhões até 2035, segundo a ANA.