Celulares velhos deixam R$ 300 milhões em ouro no lixo

O celular que você possui, tem R$ 4,20 de ouro e R$ 0,63 de prata.
No Brasil, existe cerca de 170 milhões de smartphones em uso, o que totaliza cerca de R$ 821 milhões de ouro e prata.
Esta fortuna de ouro e prata não para de crescer. A cada ano, cerca de 47 milhões de pessoas trocam de smartphone, e os metais preciosos contidos nos aparelhos antigos, estimam-se, em R$ 316 milhões, que ficam esquecidos.
Os aparelhos eletrônicos, mesmo os mais baratos possuem muito ouro, que é um excelente condutor de eletricidade e demora muito para se degradar.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, existem cerca de 500 milhões de aparelhos eletrônicos nas casas dos brasileiros, que representam apenas os que já foram aposentados e estão sem uso.
O mundo produz 41,8 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, segundo o secretário executivo do programa da ONU sobre lixo eletrônico, o que corresponde a  6 kg para cada pessoa, o equivalente a 32 iPhones.
Alguns aparelhos eletrônicos utilizam diversos elementos integrantes da tabela periódica, tais como o lítio, níquel, cobre, paládio, alumínio, ferro e plásticos diversos, além da terra-raras (lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio) que são fundamentais para a produção dos smartphones, turbinas eólicas, carros híbridos e óculos de visão noturna.
O impacto ambiental é grande. Para extrair 0,034 gr de ouro que vai em um celular, é necessário escavar 10 kg de terras de minas. A fabricação do celular consome outros 13.000 litros de água e emite 16 kg de CO2, a mesma poluição gerada por um carro popular que roda 320 km.
O ouro contido em placas de circuito impresso não é processado no Brasil, mas vendidas para cerca de cinco usinas de reciclagem equipadas para extrair o ouro, na Alemanha, Bélgica, Canadá, Suécia e no Japão.
Os ácidos utilizados para extrair o ouro são muito poluentes e para compensar os riscos ambientais, seria necessário um volume muito maior de placas para a retirada do ouro no Brasil. Cada fábrica especializada na retirada do ouro das placas de circuito impresso trabalha com cerca de 18.000 toneladas mensais, o que corresponde a mais do que o dobro de tudo que o Brasil recicla em um ano.
O Brasil recicla apenas 2% do e-lixo produzido, sendo que apenas 1% vem dos consumidores e 99% provém das sucatas eletrônicas fornecidas por grandes empresas.